Publicado por: evitoria | 5 de fevereiro de 2013

Temendo virar ficha suja, Cícero Almeida culpa ex-secretários


Fonte:  Cada Minuto

 

Meta é evitar novos processos que o tornem "ficha suja" em 2014

  • Temendo virar ficha suja, Cícero Almeida culpa ex-secretários

Em suas poucas entrevistas após a revelação de um rombo de R$ 149 milhões somente em dívida com fornecedores e prestadores de serviço na Prefeitura de Maceió, o ex-prefeito Cícero Almeida tem adotado uma tática de defesa que, inicialmente, responsabiliza seu ex-secretariado por supostos malfeitos e desmandos na gestão da capital.

Similar à tática adotada pelo ex-presidente Lula no escândalo do mensalão – de alegar desconhecimento sobre as denúncias de corrupção em seu governo -, Almeida tem sido orientado por advogados a ser “comedido” em seus pronunciamentos. O medo de Almeida é de que mais um processo ou mais uma condenação venha transformá-lo em “ficha suja”, inviabilizando o desejo do ex-prefeito de ser tornar deputado estadual em 2012.

A meta de Almeida seria, em caso de novos processos ou condenações, dividir a responsabilidade com ex-secretários e, assim, atenuar futuras possíveis penalidades. Além das novas denúncias envolvendo Almeida, o ex-prefeito é citado no inquérito da Máfia do Lixo, sobre supostos desvios de R$ 200 milhões na coleta de lixo e limpeza urbana da capital.

O ex-prefeito também foi alvo de ação de improbidade administrativa pela PF, num suposto desvio de R$ 3 milhões de recursos destinado à aquisição de um veículo para laboratório móvel de informática. Almeida também responde por processos de desvio no escândalo da Operação Taturana, que segundo a PF desviou mais de R$ 302 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa.

Ex-secretários magoados

Nas poucas vezes em que se deu entrevistas após a coletiva do prefeito Rui Palmeira, Almeida repetiu que "era orientado por secretários" e que "quem cometeu erros que pague por eles".

A menção aos ex-secretários, segundo apurou o Cada Minuto, tem causado mágoa em alguns ex-gestões considerados do “núcleo duro” da gestão de Cícero Almeida. Este “núcleo”, formado por pouco secretários, eram os mais diretos assessores do ex-prefeito.

Compunham este grupo seleto, entre outros, a ex-secretária de finanças Marcilene Costa. Responsável pelas finanças da capital em boa parte dos 8 anos de gestão Almeida, Marcilene tinha a “chave do cofre” da prefeitura e também tem adotado uma postura de silêncio perante as denúncias.

Outros dois membros deste primeiro time da gestão Almeida eram os ex-secretários Márzio Delmoni, de Planejamento, e Pedro Alves, de Governo. Responsáveis por áreas como projeções de investimentos e relacionamento político, os ex-gestores hoje atuam como assessores da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Maceió, na gestão do presidente Chico Holanda Filho.

Outro ex-secretário que ocupava posição estratégica na prefeitura é Edvan dos Santos, ex-secretário de Controle Interno, responsável pela controladoria da prefeitura. De perfil discreto, amigo pessoal de Almeida e quase desconhecido do grande público, Edvan era responsável por dar o visto final nas contas do município.

Ex-gestores de pastas apontadas como foco de problemas como Educação, Saúde e Assistência Social também não se pronuciaram sobre o alegado caos deixado em suas ex-pastas.

José Mário, ex-secretário de Educação, Francisco Araujo, ex da Assistência,  e Adeilson Loureiro, ex da Saúde, nada disseram sobre as denúncias de secretárias recebidas em situação de crise, dívidas e sucateamento. Juntas, as três pastas operacionalizam a contratação e o pagamento irregular das Oscips, que atuavam na prefeitura com contratos vencidos, algumas desde 2007.


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